quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Russell Philip Shedd - Teólogo sem rótulo



UM TEÓLOGO SEM  ROTULO

Russell Phillip Shedd (1929 – 2016)
“Hoje, meu coração entristece,
morreu um homem de fé
(Russell Phillip Shedd).
Não! Não morreu, fez a viagem.
Voltará na companhia dos anjos!”

INTRODUÇÃO

Teologia palavra que conceitua o estudo ou tratado das questões concernentes à divindade e suas relações com os homens. Adequando-se também para identificar os expositores do pensamento religioso. O termo deriva do grego Theos (Deus) e  logia (estudo). Termo cunhado por Pedro Abelardo (1142) em substituição à forma corrente “Sacra Pagina” e “Sacra Doctrina”. Agostinho (354-430) a denominou como a rainha das ciências.

Entre os teólogos contemporâneos (B.B. Warfield 1851-1921, A. Kuyper 1837-1920, H. Bavink 1854-1921, L. Berkhof 1873-1956) que  manteem fiéis aos fundamentos bíblicos e de certa forma inspirados nos ideais calvinistas de fidelidade às Escrituras encontra-se Russell Phillip Shedd (1929 – 2016), natural de Aiquile, Bolivia.   Filho de Leslie Shedd Martin e Della Johnston, missionário entre os índios. Aos cinco anos, depois de obter o curso primário em terras bolivianas, viajou na companhia dos pais para os Estados Unidos da América, onde completou seus estudos, graduando em Teologia pela Wheaton College e aos 25 anos obteve o grau de doutor (PH. D.) em Novo Testamento pela Universidade de Edimburgo – Escócia. Na sua tese, abordou o uso do apóstolo Paulo das concepções judaicas e do Antigo Testamento a cerca da solidariedade da raça. O referido tema desdobrou-se em três grandes obras.
Semelhante a Martinho Lutero (1483-1546) que se viu salvo de um temporal e posteriormente dedicou-se ao  sacerdócio, Russel ao  ser salvo de um desastre em terras chilenas, entendeu que Deus o estava convocando para a obra missionária,  mesmo porque o espírito missionário que moveu seus ancestrais iluminou-o também para a obra. No século XVII, um dos seus antepassados, Daniel Shedd, migrou ao lado dos 25 mil puritanos ingleses da Inglaterra em direção a América do Norte. Shedd sempre respirou missões. Teve na família teólogos de orientação presbiteriana, cuja influência cooperou para o desenvolvimento do seu pensamento.  
Na década de 50, Russell aceitou o cargo de professor Southeastern Bible College, em Birmingham, no estado do Alabama, onde conheceu uma aluna chamada Patricia Dunn. Casaram-se em junho de 1957 e passaram a lua de mel na Guatemala.  Enlace que dourou 59 anos e gerou cinco filhos: Timothy, Nathanael, Pedro, Helen e Joy. Quatorze netos: Laura, Kelly, Rebecca, Katherine, Leander, Cayenne, Henry, Joanathan, Michael, Stephanie, Evelyn, Scott, Susan, Katie e uma bisneta chamada Izabella.
Seis meses após o casamento Russell e Patrícia seguiram para o desafiador campo missionário, Portugal, designado pela Conservative Baptist Foreign Mission Society, com a missão de preparar liderança. Chegaram a Portugal em agosto de 1959 e deram início ao ensino no Seminário Batista em Leiria. Russel tinha o cargo de acompanhar o ministério da produção da literatura. Esse ministério foi denominado Edições Vida Nova. O objetivo era produzir obras para formação teológica dos estudantes, professores e pastores. Barreiras começaram surgir como os altos custos da impressão que inviabilizava a produção em grande número. Outra barreira significativa era a lenta venda das obras. Buscaram então uma solução segundo eles, orientados pelo Espírito Santo para cruzarem o Atlântico em direção ao Brasil, país que oferecia um custo favorável para a produção e uma grande clientela  interessada em obras teológicas.
Em agosto de 1962 chegaram ao Brasil estabelecendo na cidade de São Paulo e em parceria com alguns brasileiros, financiados pelos Estados Unidos, reorganizam a Edições Vida Nova. Um dos trabalhos mais importante na época foi a produção da Bíblia Vida Nova que muita alegria trouxe à Russell
INFLUÊNCIA
Em 1965 Russel recebe convite para lecionar na Faculdade Batista de São Paulo na área de graduação e mestrado. O profundo conhecimento bíblico de Shedd e sua simplicidade na comunicação foram fatores que atraíram estudantes para suas aulas. Milhares de alunos foram influenciados pela sabedoria de Russell Shedd.  Alguns chegam afirmar que uma geração foi influenciada por esse grande homem
Embora Russell Shedd tenha tido a oportunidade de lecionar em grandes instituições teológicas do mundo, foi o Brasil que escolheu. Certa ocasião chegou afirmar que em terras brasileiras sentia-se mais útil. Recebeu vários convites entre eles, Seminário Teológico Batista em Denver, Colorado; Trinity Evangelical Divinity School em Chicago; Bethel Theological Seminary no estado de Minnesota  e também na instituição na qual recebeu seu doutorado, Wheaton Graduate School.
A influência de Shedd estendeu-se também fora do Brasil. De 1982 a 1988, foi membro da comissão teológica da World Evangelical Fellowship.Também fez várias preleções em Cingapura e no Havai para o Haggai Institute. No Brasil prestou vários serviços na área de publicações, inclusive com editor responsável pelos comentários da Bíblia Shedd. Participou na comissão que trabalhou na tradução Bíblia Nova Versão Internacional, uma das mais vendidas nos Estados Unidos.
Shedd avaliava positivamente a expansão missionária no Brasil por brasileiros. Um expoente nessa visão foi seu aluno, Edison Queiroz que trabalhou na promoção de treinamento e envio de missionários ao exterior. Shedd tinha uma visão tolerante com movimentos carismáticos no seio da igreja tradicional, muito embora permanecesse firme nos princípios batistas fundamentado nas Escrituras, por isso sua teologia era bíblica, embora não aceitava ser rotulado como tantos outros.
Teologicamente Russel Shedd era um batista, afirmava que a salvação vem pela graça mediante a fé através da eleição e predestinação. Embora possa parecer estranho para muitos batistas as expressões: eleição e predestinação por soar um tanto calvinista.  Era um forte defensor da pregação expositiva. Para ele, a Bíblia é a Palavra de Deus.
Russel Shedd era um ferrenho crítico da chamada Teologia da Prosperidade, para ele, o crescimento que ela provoca não é fruto de um genuíno avivamento e sim por encontrar uma população extremamente mística e decepcionada com a Igreja Católica. O futuro da igreja cristã brasileira bifurca em duas direções afirmava. Para uns a Palavra é fundamental; para outros a igreja assemelha-se a um clube, cuja atenção volta-se para danças, músicas e modismos que causará separação nas igrejas.
OBRAS
Sua primeira obra em português nasceu como fruto das preleções na Carta do apóstolo Paulo aos cristãos de Efésios que recebeu o título de Tão Grande Salvação, ABU Editora (1978), Vida Nova (1988);  Man in Community, Epworth Press (1958),e Eerdmans (1962); Escatologia do Novo Testamento, Vida Nova (1983); Adoração Bíblica, Vida Nova (1987); A Justiça Social e a Interpretação da Bíblia, Vida Nova (1984) entre outras.
CONCLUSÃO
A teologia contemporânea abraça todo o pensamento teológico que se estende dos tempos modernos aos dias atuais com suas raízes na obra dos reformadores do século 16 que fundamentaram na Bíblia. Entre os reformadores, destaca-se João Calvino (1509-1546), uma referência na literatura teológica.
Russel Shedd tem muito de calvinista na sua teologia, porém nem por isso deixou de ser batista. E como ninguém vivenciou a verdadeira identidade batista destacando seu caráter, fé, devoção, santidade, convicção, discrição, resignação, obediência, mansidão e amor pelas pessoas, como bem sintetizou o presidente da CBB, Pr. Vanderlei Batista Martins.
 Bibliografia
Bechara, Evanildo
            Dicionário da Língua portuguesa Evanildo Bechara/ Evanildo Bechara. -1.ed Rio de Janeiro : Editora Nova Fronteira, 2011.
http://www.institutojetro.com/entrevistas/sempre%2Dha%2Do%2Dque%2Daprender/
http://semadema.com.br/wp-content/uploads/2013/03/Biografia-do-Pr-RUSSELL-SHEDD.pd
http://www.clipsvn.com.br/mostraTrabalhof.asp?area=TEOLOGIA&codtrab=84

domingo, 11 de janeiro de 2015

EXPECTATIVA DE VIDA SEGUNDO A BÍBLIA

A IDADE DOS PERSONAGENS BÍBLICOS

A idade dos personagens bíblicos tem deixado muitas pessoas intrigadas, porque são tentadas a pensar que os homens não viveram tanto tempo como a Bíblia diz e isso se deve a falácia de que a forma de contar os anos era diferente da nossa e também de que era impossível alguém viver centenas de anos. Longe de mim está a tentativa de esgotar o assunto, mas a meu ver nenhuma das duas é consistente o suficiente para dar-lhes crédito. Dessa forma, tecerei alguns comentários e enfocarei o assunto sob o ponto de vista bíblico literal.
Não podemos esquecer que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26), e o propósito de Deus, era que o homem vivesse eternamente à partir do sopro de vida sobre Adão formado do pó da terra (Gn 2:7). Colocou-o no Jardim do Éden e deu-lhe a seguinte ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás (Gn 2:16-17). Em que pese o homem ter desobedecido a Deus, enganado que foi por Satanás, não morreu no dia em que pecou conforme estava ordenado literalmente no texto. Ocorre que para Deus mil anos são como o dia de ontem que passou, e como uma vigília da noite (Salmo 90:4). O apóstolo Pedro em sua Segunda Epístola, chama à atenção para este fato dizendo: - “Há, todavia, uma coisa, amados, que não devemos esquecer: que, para  o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia” (II Pe 3:8). Como nenhum dos personagens bíblicos viveu mais de mil anos, deduzimos naturalmente que o homem morreu realmente no mesmo dia em que pecou. A existência humana que inicialmente estava prevista para ser eterna sobre a terra, perdeu este privilégio, por causa do pecado. Agora, tanto homem quanto mulher, estavam destinados a ter a vida terrena de modo passageiro. Quer dizer: - “no dia em que dela comeres, certamente morrerás”, não se cumpriu de imediato e literalmente, mas a morte passou a existir e a vida do ser humano passou a ser passageira na terra.
Nos primórdios, o homem vivia muito mais e acreditamos que fatores climático; qualidade de vida; inexistência de doenças; e necessidade de um mundo habitado postergavam a vida. Acrescente-se  a esses fatores o desejo de Deus por um mundo habitado: - “...Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a”.(Gn 1:28). E, o envolvimento direto que os primeiros seres humanos tiveram com Deus. Tudo isso fazia com que a vida dos primeiros homens fosse centenária. Deus falava e conversava com muitos deles. Primeiro com Adão, depois com Caim, com Noé, Abraão, Isaque, Jacó, Moises e com os profetas. Deus falava e os ouvia. Deus na sua misericórdia e na sua soberania, aprouve dar centenas de anos de vida aos primeiros homens, com o propósito de colocar em prática o projeto de salvação. 
Os personagens bíblicos viveram conforme está descrito literalmente nos textos. Não podemos dar tratamento diferentes ou imaginarmos que a contagem dos anos era diferente da de nossos dias. É evidente que o nosso calendário é diferente, mas o tempo contado é o mesmo. Não podemos diferenciar tempos de idades dentro de um mesmo livro da Bíblia. Dentro de livros diferentes no Antigo Testamento nem no Novo Testamento. Nem ser tentado a imaginar, que com o decorrer do tempo em épocas diferentes a contagem teria sido diferente. Não temos argumentos para contrariar a forma de contar os anos de vida dos personagens bíblicos nos quatro mil anos que decorreram entre Adão e Jesus, usando dois pesos ou duas medidas. Vamos encontrar na Bíblia personagens que viveram muito e personagens que viveram pouco.
Já vi, argumento do tipo que dizia que no mínimo a idade dos personagens bíblicos deveria ser dividida por dez. Simplesmente um engano e uma contradição. Se assim o fosse, como ficaríamos no texto em que Sara esposa de Abraão é considerada velha para ter uma filho? Vejamos: Sara tinha noventa anos e foi considerada velha (Gn 17:17). Perfeito. Se dividíssemos a sua idade por dez, ela teria nove anos. Nove anos! Simplesmente uma criança e não uma velha. Logo, concluímos que Sara tinha a idade que a Bíblia relata. E ela era de idade avançada mesmo. Ela tinha noventa anos. Abrimos aqui um parêntese, para dizermos que não estamos questionando a sua capacidade de gerar um filho aos noventa anos. Deus em sua soberania o prometeu e o cumpriu. Ora, o que Sara imaginou ser impossível, Deus o fez possível e ela deu à luz a Isaque  Estamos questionando apenas a idéia de dividir-se as idades por dez, o que é absolutamente inconsistente. No mesmo texto, lemos que Abraão contava com cem anos. Se dividíssemos a sua idade por dez, acharíamos 10 anos. Logo, Abraão seria uma criança e não um ancião como foi a sua alegação na oportunidade.    
Recentemente, a mídia divulgou, que na Índia, uma senhora de setenta e dois anos de idade deu à luz a um filho e estava passando bem. Ora, já se passaram dezenas e dezenas de séculos depois de Sara, no entanto vemos uma anciã procriando. Isso só corrobora para reforçar os argumentos de que não era impossível termos homens vivendo tantos anos e mulheres procriando à semelhança do que lemos nos textos bíblicos.    
No presente século, muitas e muitas pessoas viveram e estão vivendo acima dos cem anos de idade. Isto significa quase quinze por cento to tempo de vida para os personagens bíblicos, que viveram em torno de novecentos anos. O que é compreensível, partindo-se do ponto de vista de que houve perda da qualidade de vida motivada por doenças, maus hábitos alimentares, vícios etc, através dos séculos que nos separam dos homens centenários. Quero dizer que através dos séculos os homens diminuíram vertiginosamente o seu tempo de vida. Houve épocas como na idade média que este tempo de vida foi ainda menor, por causa de guerras, conflitos, doenças etc. Hoje já se fala em uma maior expectativa de vida em decorrência da busca incessante da ciência por qualidade de vida que possa resultar em maior tempo de existência do homem., ao que se tem chamado de longevidade. Recentemente, a mídia divulgou, que os cientistas chegaram a conclusão de que é possível ao homem chegar a viver em torno de duzentos anos, desde que conte  com condições favoráveis desde o início de suas vidas. Obedecendo determinados padrões de qualidade de vida etc. Esta possibilidade em nossos dias guarda coerência com a existência centenária de vida que foi possível ao homem nos primórdios.  
No Salmos 90:10 Davi diz: - “A duração da nossa vida é de setenta anos; e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, a medida deles é canseira e enfado; pois passa rapidamente, e nós voamos sobre a idade do homem.”. Isto há cerca de  quatro mil anos. Na verdade não mudou muito através dos séculos até nossos dias, estamos mais ou menos na mesma situação a partir do escrito de Davi.
A forma de contar os anos guardou coerência entre as informações constante nos textos e em livros bíblicos diferentes.
Em Gn 5:3. Temos que: -  “Adão [viveu] cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e pôs-lhe o nome de Sete.
Em Gn 5:5 “Todos os dias que Adão [viveu] foram novecentos e trinta anos; e morreu.”
Em Gn 5:6 “Sete [viveu] cento e cinco anos, e gerou a Enos”. Sendo que: “Todos os dias de Sete foram novecentos e doze anos; e [morreu]” (Gn 5:8).
Em Gn 5:9 “Enos [viveu] noventa anos, e gerou a Quenã”, sendo que:” [Viveu] Enos, depois que gerou a Quenã, oitocentos e quinze anos; e gerou filhos e filhas. Gn 5:11 “Todos os dias de Enos foram novecentos e cinco anos; e [morreu]”.
Em Gn 5:12 “Quenã [viveu] setenta anos, e gerou a Maalalel. Sendo que:: “Todos os dias de Quenã foram novecentos e dez anos; e [morreu]” (Gn 5:14).
Em Gn 5:15 “Maalalel [viveu] sessenta e cinco anos, e gerou a Jarede. Sendo que: “Todos os dias de Maalalel foram oitocentos e noventa e cinco anos; e [morreu]”, (Gn 5:17).
Em Gn 5:18 “Jarede [viveu] cento e sessenta e dois anos, e gerou a Enoque”. Sendo que: “Todos os dias de Jarede foram novecentos e sessenta e dois anos; e [morreu]”. (Gn 5:20)
Em Gn 5:21 “Enoque [viveu] sessenta e cinco anos, e gerou a Metusalém
Em Gn 5:22 “Andou Enoque com Deus; e, depois que gerou a Metusalém, viveu trezentos anos; e teve filhos e filhas”.
Em Gn 5:23 “Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos”. A Bíblia não diz que este homem morreu. Mas, diz que ele andou com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si (Gn 5:24). Por isso no meio desta genealogia em que todos estavam vivendo acima de novecentos anos, Enoque viveu cerca de um terço da idade dos demais, porque Deus para si o tomou e ele não morreu. Em continuação, temos:  
Em Gn 5:25 “Matusalém [viveu] cento e oitenta e sete anos, e gerou a Lameque”. Sendo que: “Todos os dias de Matusalém foram novecentos e sessenta e nove anos; e [morreu]” (Gn 5:27).
Em Gn 5:28 “Lameque [viveu] cento e oitenta e dois anos, e gerou um filho.”
Em Gn 5:31 “Todos os dias de Lameque foram setecentos e setenta e sete anose [morreu].
Em Gn 9:29 “E foram todos os dias de Noé novecentos e cinqüenta anos; e [morreu]”.
A partir daqui o texto suspendeu o relato de “...e foram todos os dias...”, por isso não teremos o total dos anos de vida dos personagens seguintes, a saber:
Em Gn 11:11 “E [viveu] Sem, depois que gerou a Arfaxade, quinhentos anos; e gerou filhos e filhas”.
Gn 11:12 Arfaxade [viveu] trinta e cinco anos, e gerou a Selá.
Gn 11:14 Selá [viveu] trinta anos, e gerou a Eber.
Gn 11:16 Eber [viveu] trinta e quatro anos, e gerou a Pelegue.
Gn 11:18 Pelegue [viveu] trinta anos, e gerou a Reú.
Gn 11:20 Reú [viveu] trinta e dois anos, e gerou a Serugue.
Gn 11:22 Serugue [viveu] trinta anos, e gerou a Naor.
Gn 11:24 Naor [viveu] vinte e nove anos, e gerou a Tera.
Gn 11:26 Tera [viveu] setenta anos, e gerou a Abrão, a Naor e a Harã.
A seguir o texto bíblico passou a descrever novamente o total de anos vivido pelos personagens, que passou  a ser bem menor que os anteriores, assim:
Em Gn 11:32 “Foram os dias de Tera duzentos e cinco anos; e [morreu] Tera em Harã.”
Em Gn 25.7 “Estes, pois, são os dias dos anos da vida de Abraão, que ele [viveu]: cento e setenta e, cinco anos.”
Depois que gerou a Isaque, Abraão viveu mais 75 anos.
Gn 47:28 “E Jacó [viveu] na terra do Egito dezessete anos; de modo que os dias de Jacó, os anos da sua vida, foram cento e quarenta e sete anos.”
Gn 50:26 “Assim [morreu] José, tendo cento e dez anos de idade; e o embalsamaram e o puseram num caixão no Egito”.
Números 33:39 “E Arão tinha cento e vinte e três anos de idade, quando [morreu] no monte Hor.”
Deuteronômio 34:7 “Tinha Moisés cento e vinte anos quando [morreu]; não se lhe escurecera a vista, nem se lhe fugira o vigor.”

Josué 24:29 “Depois destas coisas Josué, filho de Num, servo do Senhor, [morreu], tendo cento e dez anos de idade;”
Nesta genealogia, apresentada nos livros mencionados, os anos das idades de existência dos personagens bíblicos, decresceram através dos séculos. Assim, Matusalém, um dos primeiros na genealogia viveu novecentos e sessenta e nove anos (Gn 5:27).
A partir do dilúvio a expectativa de vida dos personagens caiu para menos que duzentos anos. Noé foi o último a viver mais de novecentos anos.
Pelo exposto não podemos atribuir interpretações diferentes para o tempo de existência dos personagens bíblicos. É o Gênesis que narra as idades acima de novecentos anos. É no Gênesis que Sara tem noventa anos quando engravida tendo Abraão cem anos. É no Gênesis que os descendentes de Noé passam a viver menos de duzentos anos. Na verdade, mais próximo de cem anos do que de duzentos propriamente dito. Nas narrativas dos cinco Livros da Lei ou Pentatêuco, constatamos coerentemente que os homens tiveram literalmente os anos de vida que a Bíblia diz ter. Não poderíamos jamais dar interpretações diferentes para a forma de contar os anos, quer pareçam muito ou pouco e jamais dividi-los para adequÁ-los a nossa cosmovisão atual.
Pelos dados dos últimos textos mencionadas, as idades dos personagens já se achavam bastante próximas das que vimos em nossos dias: José, Arão, Moisés e Josué  viveram entre cento e dez e cento e vinte e três anos.
O último relato bíblico a cerca da idade total de um de seus personagens é a de Josué que viveu cento e dez anos (Josué 24:29). A partir daí é omitido este tipo de informação no restante dos livros tanto no Antigo, como no Novo Testamento.
Há muitas outras passagens à respeito de tempos em anos mencionados no Antigo Testamento, mormente com relação aos tempos de governo dos Reis e outros, que não seria necessário recorrer para reforçar o nosso argumento, porque chegaríamos as mesmas conclusões. Os tempos relativos as idades dos personagens bíblicos é rico em informações e relatos que foram suficientes para darmos luz ao assunto. Para tanto, bastou a observância da genealogia dos primeiros personagens e a coerência com as demais citações dentro da Bíblia, principalmente no Antigo Testamento.

Augusto Bello de Souza Filho
Bel. em Teologia


terça-feira, 4 de novembro de 2014

OREMOS PELA NAÇÃO

REPASSANDO, DA FORMA COMO RECEBI E COM MUITA PREOCUPAÇÃO COM O MOMENTO ATUAL. Pr. Gilson Batista de Souza – Brasília-DF.

 RGENTE - ALERTA DOS MILITARES À NAÇÃO !
*GENERAL DE EXERCITO PEDRO LUIS DE ARAÚJO BRAGA.
*A quase  impossibilidade de tirar o PT do poder seja por eleições livres, mas viciadas pela prática de estelionatos eleitorais e fraudes, seja por um golpe contra o país lançado pelas forças paramilitares a serviço de um projeto de poder comunista, o clima de uma guerra civil está cada vez mais se afirmando como única saída para livrar nosso país de ser transformado em uma Cuba Continental.

 A qualquer momento os efeitos sobre a caserna da overdose da covardia, da cumplicidade e da omissão que domina o comportamento apátrida de uma minoria de comandantes, militares - lacaios dos comunistas - poderá acabar, pela reação coletiva dos contrários, provocando uma intervenção militar muito mais grave do que a ocorrida em 1964, e colocando todos os corruptos genocidas diante de um Tribunal de Guerra para responderem diante da sociedade por todos os milhões de cidadãos
assassinados por desgovernos traidores do país e mentores da Fraude da Abertura Democrática.

 Os desgovernos do PT demonstraram e continuam demonstrando, diariamente, sua incapacidade de ter a auto crítica necessária para perceber ou aceitar seus erros como indicativos da péssima administração pública que têm exercido durante os últimos 12 anos.
Com o assistencialismo comprador de votos, e com a corrupção e o suborno de milhares de canalhas esclarecidos, os donos do poder acham que tudo está dominado e que não têm mais que dar satisfações a ninguém quando são criticados por suas atitudes, a não ser as costumeiras e deslavadas mentiras, leviandades, falsidades e
hipocrisias que não enganam a mais ninguém.

 As ameaças e ações punitivas contra militares da ativa e da reserva que estão se posicionando contra a destruição das FFAA e contra a comunização do país e sua degeneração social e econômica pelo projeto de poder do PT, gestado nas reuniões do Foro de SP, estão perdendo o limite, no mínimo, do bom senso.

Depois de semear durante os três últimos anos um inaceitável conflito de classes sociais, o desgoverno Dilma procura, insistentemente, demonstrar que não tem mais nada a perder, quando continua perseguindo sistematicamente as FFAA em ações diretas contra os que se colocam como críticos dos atos de um desgoverno que está jogando o país na ladeira de se transformar em uma Cuba Continental.

Por outro lado a sociedade vem sendo tratada como idiota, imbecil e palhaça do Circo da Corrupção que se instaurou no país durante a Fraude da Abertura Democrática.

As posturas da presidenta e seus lacaios significam interpretar que a calmaria da covardia e da omissão de alguns comandantes pode ser o qualificativo de toda a caserna.

Até quando esses canalhas traidores do país acham que o genocídio de milhares de pessoas inocentes como resultado do bilionário roubo do dinheiro público, a transformação do poder público em um Covil de Bandidos e de porcos comunistas, e o país em um Paraíso de Patifes, continuarão sendo aceitas por uma caserna, por enquanto defensora da disciplina militar em relação aos atos de desgovernos que estão destruindo o país?

Uma minoria de comandantes militares, lacaios de levante comunista que está tomando conta do país, não será capaz de segurar uma revolta latente que já se instaurou nos ambientes dos quartéis, pois todos os militares e superiores imediatos estão sendo testemunhas do assassinato de milhares de civis todos os anos como consequência do roubo do dinheiro público. Todos esses também têm filhos e famílias que estão na fronteira de se tornarem lacaios de uma Cuba Continental.
A qualquer momento as parcelas das FFAA não subservientes a bandidos, as polícias civis e militares, e a Polícia Federal, assumirão a consciência de que estão sendo feitas cúmplices do assassinato de milhares de cidadãos todos os anos pela obediência a um sistema de governo absolutamente corrompido e criminoso em todas as suas instâncias.

O resultado será um conflito armado com as forças leais ao desgoverno petista e seus cúmplices que, ao contrário do que pensam, serão mortalmente derrotadas, pois as armas necessárias para combater os inimigos de nossa pátria aparecerão, e a revolta se fará presente em uma guerra civil de absoluta responsabilidade do PT, que plantou durante décadas as sementes de um conflito civil-militar armado no país.

Que o submundo do PT continue tentado destruir as FFAA e chamando os comandantes militares de comandantes de merda. O preço a pagar por tanto atrevimento comunista se aproxima de ser pago.

De qualquer forma, pela insistência de muitos, estamos ainda
procurando acreditar que a traição militar ao país se situe apenas no círculo de comandantes militares omissos, covardes e cúmplices e não em um comportamento coletivo da caserna.

 
GENERAL DE EXERCITO PEDRO LUIS DE ARAUJO BRAGA

 Este é um alerta à nação brasileira, assinado por homens cuja existência foi marcada por servir à pátria, tendo como guia o seu
juramento de por ela, se preciso for, dar a própria vida. São homens que representam o exército das gerações passadas e são os responsáveis pelos fundamentos em que se alicerça o exército do presente.

Assinam, abaixo, os oficiais generais por ordem de antiguidade e demais militares e civis por ordem de adesão.

 Oficiais Generais
 
1 - Gen Ex Pedro Luiz de Araujo Braga
 2 - Gen Ex Angelo Baratta Filho
 3- Gen Ex Luiz Guilherme de Freitas Coutinho
 4 - Gen Ex José Carlos Leite Filho
 5 - Gen Ex Domingos Miguel Antônio Gazzineo
 6 - Gen Ex José Luis Lopes da Silva
 7 - Gen Ex Luiz De Góis Nogueira Filho
 8 - Gen Ex Valdésio Guilherme de Figueiredo
 9 - Gen Ex Gilberto Barbosa de Figueiredo
 10 - Gen Ex Luiz Edmundo Maia de Carvalho
 11 - Gen Ex Antônio Araújo de Medeiros
 12 - Ten Brig Ar (Refm) Ivan Frota
 13 - Gen Ex Domingos Carlos Campos Curado
 14 - Gen Ex Ivan de Mendonça Bastos
 15 - Gen Ex Rui Alves Catão
 16 - Desembargador do Tribunal de Justiça/RJ Bernardo Moreira Garcez
Neto
 17 - Gen Ex Cláudio Barbosa de Figueiredo
 18- Gen Ex Carlos Alberto Pinto Silva
 19 - Gen Ex Luiz Cesário da Silveira Filho
 20 - Gen Ex Maynard Marques de Santa Rosa
 21- Gen Div Francisco Batista Torres de Melo
 22 - Gen Div Amaury Sá Freire de Lima
 23 - Gen Div Leone da Silveira Lee
 24 - Gen Div Cássio Rodrigues da Cunha
 25 - Gen Div Aloísio Rodrigues dos Santos
 26 - Gen Div Robero Viana Maciel dos Santos
 27 - Gen Div Marcio Rosendo de Melo
 28 - Gen Div Luiz Carlos Minussi
 29 - Gen Div Gilberto Rodrigues Pimentel
 30 - Gen Div Ulisses Lisboa Perazzo Lannes
 31 - Gen Div Luiz Wilson Marques Daudt
 32 - Maj Brig Ar Edilberto Telles Shirotheau Corrêa
 33 - Maj- Brig do Ar Cezar Ney Britto de Mello
 34 - Maj Brig Ar Irineu Rodrigues Neto
 35 - Maj Brig Ademir Siqueira Viana
 36 - Ge n Div Clóvis Puper Bandeira
 37 - Gen Div Roberto Schifer Bernadi
 38- Gen Div Remy de Almeida Escalante
 39 - Gen Div Sérgio Ruschell Berganaschi
 40 - Gen Div Sérgio Pedro Coelho Lima
 41- Gen Bda Rui Leal Campello - Detentor do Bastão da FEB
 42 - Brig Ar Leci Oliveira Peres
 43 - Gen Bda Dickens Ferraz
 44 - Gen Bda Paulo Ricardo Naumann
 45 - Gen Bda Gilberto Serra
 46 - Gen Bda Aricildes de Moraes Motta
 47 - Gen Bda Durval A. M. P. de Andrade Nery
 48 - Gen Bda Carlos Augusto Fernandes dos Santos
 49 - Gen Bda Miguel Monori Filho
 50 - Gen Bda Iberê Mariano da Silva
 51 - Gen Bda Eduardo Cunha da Cunha
 52 - Gen Bda Tirteu Frota
 53 - Gen Bda César Augusto Nicodemus de Souza
 54 - Gen Bda Geraldo Luiz Nery da Silva
 55 - Gen Bda Marco Antonio Felício da Silva
 56 - Gen Bda Newton Mousinho de Albuquerque
 57 - Gen Bda Paulo César Lima de Siqueira
 58 - Gen Bda Marco Antonio Tilscher Saraiva
 59 - Gen Bda Manoel Theóphilo Gaspar de Oliveira
 60 - Gen Bda Hamilton Bonat
 61 - Gen Bda Elieser Girão Monteiro
 62 - Gen Bda Pedro Fernando Malta
 63 - Gen Bda Mauro Patrício Barroso
 64 - Gen Bda Marcos Miranda Guimarães
 65 - Gen Bda Zamir Meis Veloso
 66 - Gen Bda Valmir Fonseca Azevedo
 67 - Gen Bda Marco Antônio Sávio Costa
 68 - Brig.Ar Sérgio Luiz Millon
 69 - Gen Bda Carlos Eduardo Jansen
 70 - Gen Bda Mario Monteiro Muzzi
 71 - Gen Bda Paulo Roberto Correa Assis
 72- Gen Bda Iram Carvalho
 73 - Brig Ar Danilo Paiva Alvares
 74- Gen Bda Jos´e Alberto Leal
 75 - Gen Bda José Luiz Gameiro Sarahyba
 76 - Gen Brig Ar - Guido de Resende Souza
 77 - Gen Bda Sady Guilherme Schmidt
 78 - Contra- Alm Med Luiz Roberto Matias Dias

 Oficiais Superiores
 1- Cel Jarbas Gonçalves Passarinho
 2 - Cel Carlos de Souza Scheliga
 3 - Cel Carlos Alberto Brilhante Ustra
 4 - Cel Ronaldo Pêcego de Morais Coutinho
 5 - Capitão-de-Mar-e-Guerra Joannis Cristino Roidis
 6 - Cel Celso Seixas Marques Ferreira
 7 - Cel Pedro Moezia de Lima
 8 - Cel Cláudio Miguez
 9 - Cel Yvo Salvany
 10 - Cel Ernesto Caruso
 11 - Cel Juvêncio Saldanha Lemos
 12 - Cel Paulo Ricardo Paiva
 13 - Cel Raul Borges
 14 - Cel Rubens Del Nero
 15 - Cel Ronaldo Pimenta Carvalho
 16 - Cel Jarbas Guimarães Pontes
 17 - Cel Miguel Netto Armando
 18 - Cel Florimar Ferreira Coutinho
 19 - Cel Av Julio Cesar de Oliveira Medeiros
 20 - Cel.Av.Luís Mauro Ferreira Gomes
 21 - Cel Carlos Rodolfo Bopp
 22 - Cel Nilton Correa Lampert
 23 - Cel Horacio de Godoy
 24 - Cel Manuel Joaquim de Araujo Goes
 25 - Cel Luiz Veríssimo de Castro
 26 - Cel Sergio Marinho de Carvalho
 27 - Cel Antenor dos Santos Oliveira
 28 - Cel Josã de Mattos Medeiros
 29 - Cel Mario Monteiro Campos
 30 - Cel Armando Binari Wyatt
 31 - Cel Antonio Osvaldo Silvano
 32 - Cel Alédio P. Fernandes
 33 - Cel Francisco Zacarias
 34 - Cel Paulo Baciuk
 35 - Cel Julio da Cunha Fournier
 36 - Cel Arnaldo N. Fleury Curado
 37 - Cel Walter de Campos
 38 - Cel Silvério Mendes
 39 - Cel Luiz Carvalho Silva
 40 - Cel Reynaldo De Biasi Silva Rocha
 41 - Cel Wadir Abbês
 42 - Cel Flavio Bisch Fabres
 43 - Cel Flavio Acauan Souto
 44 - Cel Luiz Carlos Fortes Bustamante Sá
 45 - Cel Plotino Ladeira da Matta
 46 - Cel Jacob Cesar Ribas Filho
 47 - Cel Murilo Silva de Souza
 48 - Cel Gilson Fernandes
 49 - Cel José Leopoldino e Silva
 50 - Cel Pedro Carlos Pires de Camargo
 51 - Cel Antonio Medina Filho
 52 - Cel José Eymard Bonfim Borges
 53 - Cel Dirceu Wolmann Junior
 54 - Cel Sérgio Lobo Rodrigues
 55 - Cel Jones Amaral
 56 - Cel Moacyr Mansur de Carvalho
 57 - Cel Waine Canto
 58 - Cel Moacyr Guimarães de Oliveira
 59 - Cel Paulo Carvalho Espindola
 60 - Cel Nelson Henrique Bonança de Almeida
 61 - Cel Roberto Fonseca
 62 - Cel Jose Antonio Barbosa
 63 - Cel Jomar Mendonça
 64 - Cel Carlos Sergio Maia Mondaini
 65 - Cel Nilo Cardoso Daltro
 66 - Cel Vicente Deo
 67 - Cel Av Milton Mauro Mallet Aleixo
 68 - Cel José Roberto Marques Frazão
 69 - Cel Brigido Montarroyos Leite
 70 - Cel Flavio Andre Teixeira
 71 - Cel Jorge Luiz Kormann
 72 - Cel Aluísio Madruga de Moura e Souza
 73 - Cel Aer Edno Marcolino
 74 - Cel Paulo Cesar Romero Castelo Branco
 75 - Cel Carlos Leger Sherman Palmer
 76 - Cel Gilberto Guedes Pereira
 77 - Cel Carlos da Rocha Torres
 78 - Cel Paulo Soares dos Santos
 79 - Cel Mário Luiz de Oliveira
 80 - Cel Wilson Musco
 81 - Cel Luiz Fontoura de Oliveira Reis
 82 - Cel Rubens Reinaldo Santanaf
 83 - Cel Arthur Paulino Tapajoz de Souza
 84 - Cel Josimar Gonçalves Bezerra
 85 - Cel Affonso Correa de Araújo
 86 - Cel Era Derli Stopato da Fonseca
 87 - Cel Elmio David Dansa de Franco
 88 - Cel Antonio Carlos Pinheiro
 89 - Cel Av Silvio Brasil Gadelha
 89 - Cel Av Sílvio Barreto Viana
 90 - Cel Jorge Caetano Souza do Nascimento
 91 - Cel Sérgio Augusto Machado Cambraia
 92 - Cel Manoel Soriano Neto
 93 - Cel Nelson Roque Vaz Musa
 94 - Cel Rubens Vaz da Cunha
 95 - Cel Mário Muzzi
 96 - Cel Luiz Caramuru Xavier
 97 - Cel Av Valdir Eliseu Soldatelli
 98 - CMG (FN) Guilherme Gonzaga
 99 - CMG Cesar Augusto Santos Azevedo
 100 - Cel José Alberto Neves Tavares da Silva
 101 - Cel Pedro Figueira Santos
 102 - Cel Respício Antonio do Espírito Santos
 103 - Cel Av Silvio da Gama Barreto Viana
 104 - Cel Djair Braga Maranhoto
 105 - Cel Airton Alcântara Gomes
 106 - Cel Arcanjo Miguel Vanzan
 107 - CMG Francisco Heráclio Maia do Carmo
 108 - Cel Ary Vieira Costa
 109 - Cel Ricardo Perera de Miranda
 110 - CMG Edmundo Amaral Baptista
 111 - Cel Nicolau Loureiro Neto
 112 - Cel AV Sérgio Ivan Pereira
 113 - CMG Geraldo da Fonseca
 114 - Cel Nelsimar Moura Vandelli
 115 - Cel Cesar Augusto de Jesus Magalhães
 116 - Cel Rogério Oliveira da Cunha
 117 - Cel José Augusto de Castro Neto
 118 - Cel Benedito Luiz Longhi
 119 - CMG Rogério Ferreira Esteves
 120 - Cel Albérico da Conceição Andrade
 121 - Cel Orlando Galvão Canário
 122 - Cel AV José Alfredo de Tolosa Andrade
 123 - Cel Pedro Arnóbio de Medeiros
 124 - Cel Sérgio dos Santos Lima
 125 - Cel Cezar Nunes de Araújo
 126 - Cel Ivan Fontelles
 127 - Cel Paulo Soares de Souza
 128 - Cel Renato Brilhante Ustra
 129 - Cel Ariel Rocha de Cunto
 130 - Cel Rui Pinheiro Silva
 131 - Cel Milton Moraes Sarmento
 132 - Cel Paulo Sérgio da Silva Maia
 133 - Cel Ney de Oliveira Waszak
 134 - Valneir deMesquita Nobre
 135 - Cel Abilio Ramos Pimenta

sábado, 26 de julho de 2014

EU SOU A UNIVERSAL

"EU SOU A UNIVERSAL"

Pr. Walmir Vigo Gonçalves

Escrito para o boletim da Igreja Batista em Muqui

Já viu essa propaganda onde uma pessoa aparece contando sua experiência de como foi abençoada e depois termina dizendo "Eu sou a Universal"? Pois é! De certa forma, conquanto eu discorde de algumas práticas da Igreja Universal do Reino de Deus, tenho que admitir que, nessa propaganda, o fato de a pessoa se identificar desse jeito com a referida igreja, ao final, me traz algumas lições. Quando ele diz "Eu sou a Universal" ele está declarando que "vive a vida dessa igreja", veste decididamente a "camisa" da igreja; então, ele mesmo, porque ele é a igreja, contribui financeiramente para o desenvolvimento das atividades da igreja; contribui com o seu trabalho para o crescimento da igreja – evangelizando, admoestando, chamando de volta aqueles que um dia saíram, servindo como conselheiro, discipulador, zelador... enfim, fazendo o que preciso for e que estiver ao seu alcance, PORQUE ELE É A UNIVERSAL. Os outros que lá estão também são, obviamente, mas ele assumiu o fato, na teoria e na prática, de que ELE É. Pois bem, lições são para serem aprendidas, e depois de aprendidas, praticadas. Então, quero declarar, como eles, que EU SOU A IGREJA BATISTA; mais especificamente, EU SOU A IGREJA BATISTA EM MUQUI, e, portanto, eu vou evangelizar de alguma forma mesmo quando não houver uma atividade específica para isso; eu vou admoestar os idosos, porém não asperamente, mas como se eles fossem meus pais, e aos jovens como se fossem meus irmãos, porque é assim que a Bíblia me orienta (1 Timóteo 5); eu vou, na medida do possível, tentar resgatar aqueles que um dia saíram de nosso meio, mesmo que eu não seja comissionado formalmente pela igreja para isso; eu vou trabalhar como conselheiro e discipulador daqueles que forem se convertendo, especialmente se a conversão se deu em parte através de meu trabalho; eu vou zelar pelo patrimônio; eu vou contribuir financeiramente; eu vou visitar, especialmente os idosos e enfermos, para orar com eles; eu vou ser assíduo frequentador das reuniões de culto; eu vou zelar, no que me diz respeito, pelo bom testemunho da igreja; eu vou receber bem os visitantes que vierem aos cultos; eu vou orar pelos meus irmãos em Cristo, especialmente aqueles que junto comigo constituem a Igreja Batista em Muqui... EU VOU fazer o que eu puder para ajudar a igreja crescer numérica e espiritualmente, seja eu comissionado formalmente ou não, porque EU SOU A IGREJA BATISTA EM MUQUI. Eu sei que "eles", isto é, "vocês", também são, mas hoje EU estou assumindo o fato de que EU SOU, e porque EU SOU, então EU estou vestindo a camisa da IGREJA BATISTA EM MUQUI. Se ela acertar EU estou acertando, ainda que a glória seja de Deus e não minha; e se ela errar EU estou errando e vou me arrepender e orar pedindo perdão a Deus, porque EU SOU a Igreja Batista em Muqui.

E você?... Você é?...

quarta-feira, 23 de julho de 2014

O computador vai substituir o professor?


A professora Andrea Cecilia Ramal sintetiza positivamente. Porém, acredito que não haverá uma substituição absoluta e sim uma divisão de tarefa. Jamais a máquina pode substituir a mente humana. Ela é produto da mente humana. O computador tem e terá papel definido. Será ou já é uma extensão do professor. Ou é o contrário?
O professor terá de rever o seu papel no binômio ensino aprendizagem e desenvolver um trabalho cooperativo, não apenas com os alunos, mas também com a máquina. A expressão cooperar, transformada em atitude será fundamental no ambiente escolar.
O grande problema é que o professor ainda não tem um perfeito domínio do mundo digital e portanto a relevância deste curso.
Jurandir Marques

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Vamos no livrar da Bagunça Tóxica!

Ao serem divulgadas os resultados das primeiras provas do Enem, um grande grupo educacional encomendou uma pesquisa com os alunos das dez melhores escolas do Brasil. O fato que chamou atenção foi de serem todas elas muito rígidas na disciplina.

Os melhores estadistas, filósofos, cientistas e empresários vieram de escolas consideradas rígidas na disciplina., chegando até umas varadinhas ou reguadas.

A queda na disciplina provoca queda no aprendizado. As escolas brasileiras precisam retomar a prática da disciplina e proibir a bagunça na sala de aula.

As notícias da indisciplina nas escolas brasileiras é assunto da mídia. Há uma incapacidade generalizada dos professores em impedir a bagunça nas salas de aulas.

 Experimente perguntar aos seus alunos o que mais atrapalha no aprendizado. Com certeza a bagunça virá como resposta em primeiro lugar. Seguindo naturalmente do uso do celular.

A solução está nas mãos dos professores e da direção da escola. Se todos entendermos que a bagunça na sala de aula é inaceitável, mudará o clima da escola.

Temos de nos livrar da bagunça tóxica o mais rápido possível!!!

quinta-feira, 17 de abril de 2014

A PÁSCOA - Uma Festa de Amor!

A PÁSCOA – Uma Festa de Amor!
Pr. José Barbosa de Sena Neto *


     A Páscoa acha-se profundamente ligada à história do povo de Israel. Ela está presente em todo o período do Velho Testamento e se estendeu até à era cristã, vindo a constituir-se base do culto da Igreja Primitiva. A Páscoa propriamente dita, conforme instituída por Deus era um ritual de sacrifício (“sacrificarás a páscoa” – Deuteronômio 16.2,6) de um cordeiro, realizado na tarde do dia 14 de Nisã de cada ano, prefigurando o Cordeiro de Deus, que havia de tirar o pecado do mundo.

     A festa, que começava à noite, com a ceia pascal (já no dia 15, portanto), e se prolongava  por sete dias, era chamada a páscoaou a festa da páscoa (Êxodo 34.25; Números 9.5; Lucas 2.41; 22.1; João 2.23; 13.1), a páscoa dos judeus (João 2.13; 11.55), a páscoa do Senhor(Êxodo 12.11,27), a festa dos pães ázimos(Marcos 14.1; Lucas 22.1), ou, ainda, dias dos pães ázimos(Atos 12.3; 20.6).

    A sua instituição ocorreu no Egito, quando Deus protegeu os filhos de Israel da ação destruidora do anjo matador, que saiu de casa em casa, matando “todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais” (Êxodo 12.12). Era comemorada “na primeira lua cheia depois do equinócio da primavera[1]

A Instituição da Páscoa


     Os relatos bíblicos referentes às festas comemorativas judaicas descrevem os eventos de forma não cronológica e alternam instruções para procedimentos futuros com a descrição dos fatos ocorridos quando da instituição do evento comemorado. É o que se vê no relato da Páscoa em Êxodo 12:
     
     1-2 – o primeiro mês do ano; 3-5 – a separação do cordeiro; 6 – o sacrifício do cordeiro; 7-11 – a aplicação do sangue do cordeiro às portas das casas dos israelitas e a ceia pascal; 12-13 – o livramento do Senhor para os filhos de Israel; 14-20 – instruções para o memorial perpétuo da libertação do cativeiro egípcio; 21-23 – o Senhor guarda os israelitas em suas casas; 24-27 – a Páscoa estatuto perpétuo para Israel; 28-30 – o povo adora o Senhor e Lhe obedece; 31-34 – Faraó manda o povo de Israel sair do Egito e pede a Moisés e Arão que o abençoem;  35-36 – os israelitas despojam os egípcios; 37-38 – Israel deixa o Egito;  39 – os israelitas comem pães ázimos por causa da pressa com que são expulsos do Egito (Deuteronômio 16.3); 40-42 – termina o cativeiro de Israel no Egito.

O Molho das Primícias da Colheita e o Holocausto
                                                            
     Os israelitas entregavam  ao sacerdote um molho das primícias da sua saga e, no dia seguinte ao sábado pascal, o sacerdote o movia perante o Senhor, para que os ofertantes fossem aceitos. Nesse mesmo dia, os israelitas ofereciam ao Senhor um cordeiro, de um ano, em holocausto ao Senhor (Levítico 23.10-12). “No segundo dia (da festa) era  oferecido um molho das primícias da seara, como oferta movida, com um cordeiro do primeiro ano para oferta queimada (Levítico 23.1-14) [2].
  
               
Instruções Para Comemorações Futuras

     Cumpre observar que muitas das instruções referentes às festas de Israel (Levítico 23), como é o caso do “molho das primícias” e do “holocausto ao Senhor” (vv. 10,12), não são pertinentes ao período do Êxodo, mas são prescrições para comemorações futuras, quando os filhos de Israel já estivessem instalados na terra prometida (acontecimento que somente se deu quarenta anos depois do Êxodo). “Quando houverdes entrado na terra, que vos hei de dar” (Levítico 23.10).
     Da mesma forma, a proibição de comer pão levedado durante os sete dias seguintes à Páscoa não foi imposta aos filhos de Israel logo na saída do Egito, mas foi-lhe dada como instrução para o período pós-cativeiro (Êxodo 12.14-15), como forma de fazê-los relembrar a intervenção de Deus na sua libertação (Êxodo 13.3-4).
Origens Remotas da Festa Agropastoril
¨     A Festa da Páscoa, como, de resto, todas as festas religiosas de Israel, possui aspectos de natureza agrícola e aspectos de natureza pastoril, e representa traços que, segundo alguns estudiosos, seriam semelhantes aos de uma festa (“festa da primavera”), anterior ao cativeiro egípcio e comum a todos os povos semitas, traços esses que seriam:
¨     oferta das primícias ao Senhor, tanto dos rebanhos  (“Tudo o que abre a madre meu é, até todo o teu gado, que seja macho, e que abre a madre de vacas e de ovelhas” – Êxodo 34.19) como das colheitas (“As primícias dos primeiros frutos da tua terra trarás à casa do Senhor teu Deus”- Êxodo 23.19); e
¨     busca das bênçãos divinas para as comunidades pastoril e agrícola (“O Senhor mandará que a bênção esteja contigo nos teus celeiros e em tudo a que puseres a mão; e te abençoará na terra que te der o Senhor teu Deus”- Deuteronômio 28.8).
     Esses traços marcantes da “festa da primavera” teriam sido absorvidos pela “festa da libertação’, que, simbolizando a miraculosa intervenção divina na história para a libertação de Israel, teria guardado em parte a significação original da oferta das primícias dos rebanhos e dos primeiros frutos da terra, como maneira de pedir a proteção divina para as comunidades pastoril e agrícola.
Como indícios bíblicos dessas origens remotas da festa são apontados:
¨     Gênesis 3.21 “E fez o Senhor Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu”. Aqui, percebe-se que, para que Adão e Eva tivessem coberta a sua nudez e reparada a sua situação vexatória diante de Deus, fez-se necessário o sacrifício de um animal, para que dele se tirasse a pele que vestiria nossos primeiros pais.
¨     Gênesis 4.2-4: “(...) Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra. E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura (...)  Aqui já se vê o primeiro registro de oferta a Deus tanto das primícias dos rebanhos como do fruto da terra.
¨     Êxodo 3.18 e 5.1: “Disse Moisés a Faraó: “(...) deixa-nos ir caminho de três dias para o deserto, para que ofereçamos sacrifícios ao Senhor nosso Deus” – Disse Deus: “(...) Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto”. A oferta de “sacrifícios ao Senhor” e a celebração de uma “festa no deserto” aqui mencionada são eventos, anteriores, portanto à instituição da Páscoa.
A Segunda Páscoa
   Para aqueles que não tinham podido participar da celebração normal da páscoa em catorze de nisã, havia, ainda, uma Segunda celebração pascal, trinta dias após o dia oficial, isto é, em catorze de ivar : “Fala aos filhos de Israel, dizendo: Quando alguém entre vós, ou entre as vossas gerações, for imundo por tocar corpo morto, ou achar-se em jornada longe de vós, contudo ainda celebrará a páscoa do Senhor. No mês segundo, no dia catorze à tarde, a celebrarão; com pães ázimos e ervas amargas, a comerão”(Números 9.10-11).
Registros Bíblicos da Páscoa
    Após a instituição da Páscoa, o Velho Testamento registra apenas as seguintes celebrações, ao longo da história de Israel:
¨     na saída do Egito – Êxodo 12.
¨     no deserto – Números 9.1-5
¨     já na Palestina – Josué 5.10-12
¨     no tempo do rei Ezequiel  – II Crônicas 30.1-27
¨     no reinado do rei Josias – II Reis 23.21-23; II Crônicas 35.1,18
¨     depois da restauração do templo – Esdras 6.19-22.
Jesus e a Páscoa
     Como varão israelita, Jesus estava obrigado Lei a, anualmente, comparecer a Jerusalém para as três grandes festas: da Páscoa, d Pentecostes e dos Tabernáculos (Deuteronômio 16.16.
     A exigência da Lei é muito clara. Todos os varões israelitas terão de fazerem-se presentes em Jerusalém durante essas festas. Nada obstante, “a larga propagação do povo israelita tornou isso impossível. Os palestinos mais piedosos procuravam ao menos estar em Jerusalém durante a Páscoa” [3].
     Sabendo-se que Jesus cumpriu toda a Lei, pode-se afirmar, com absoluta certeza, que ele, a partir dos doze anos (idade em que os meninos israelitas passavam a ser conhecidos como “filhos da lei”), compareceu, anualmente, a Jerusalém, nas três grandes festas de Israel, em obediência à Lei, à qual ele, como varão israelita, estava sujeito (Gálatas 4.4).
     O Novo Testamento, entretanto, registra apenas três ocorrências da presença de Jesus em Jerusalém durante a Festa da Páscoa:
¨     na Sua infância: “E o menino (Jesus) crescia, e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de deus estava sobre ele. Ora, todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da páscoa; e, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa” (Lucas 2.40-42);
¨     no início de Sua vida pública: “E estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém”(João 2.13); “E, estando Ele em Jerusalém pela festa da Páscoa, durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no Seu nome”(João 2.23);
¨     na Sua morte: “Bem sabeis que daqui a dois dias é a Páscoa; e o filho do homem será entregue para ser crucificado”(Mateus 26.2 e João 11.55-57 e 12.1,12-23).
João registra ainda outra ocorrência da festa, mas não fala da presença de Jesus em Jerusalém durante ela: “E a Páscoa, a festa dos judeus, estava próxima. Então Jesus, levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão vinha ter com Ele, disse a Filipe: Onde compraremos pão, para estes comerem?” (João 6..-5)
O Simbolismo da Páscoa
         O cordeiro pascal era comido com pães ázimos e ervas amargosas: “E naquela comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão.”(Êxodo 12.8).
O Cordeiro Pascal
     No dia catorze de nisã, no Egito, em cada casa dos filhos de Israel, o cordeiro pascal foi imolado e o seu sangue colocado numa bacia. Os chefes de família, cada um em sua casa, tomaram um molho de hissopo, embeberam-no no sangue do cordeiro, que estava na bacia, e com ele marcaram a verga e os umbrais de sua casa. À meia-noite, o Senhor passou para ferir os egípcios, somente não permitindo que o anjo destruidor entrasse nas casas cujas portas estavam assinaladas como sangue do cordeiro. (Êxodo 12.21-23).
     O cordeiro imolado na Páscoa tipifica Jesus, que “como um cordeiro foi levado ao matadouro” (Isaías  53.7). Simboliza a redenção, a salvação, a bênção divina sobre os eleitos de Deus. Somente sobre os eleitos, e não sobre toda a humanidade. Por isso, nenhum incircunciso poderia dele comer, mesmo estando, como realmente estava obrigado pela lei (Êxodo 12.19,49) a observar as ordenanças referentes ao fermento nos dias dos ázimos:
¨     “(...) Esta é a ordenança da Páscoa: nenhum filho do estrangeiro comerá dela” (Êxodo 12.43); “O estrangeiro e o assalariado não comerão dela” (v.45); “(...) mas nenhum incircunciso comerá dela”(v.48).
     O sangue do cordeiro pascal tipifica o sangue de Jesus, derramado na cruz do Calvário, para nossa redenção. O hissopo (um arbusto, ou subarbusto, que produz uma espécie de pendão, com flores espiraladas), em face da facilidade com que era encontrado, sempre ao alcance da mão, representa a fé (que “está junto de ti, na tua boca e no teu coração” – Rm 10.8), que é o instrumento através do qual os méritos de Jesus são aplicados à verga e aos umbrais do coração do pecador. Todos aqueles cujo coração estiver marcado com o sangue do Cordeiro de Deus são saltados pelo destruidor.
     Nenhum osso do cordeiro pascal seria quebrado (Êxodo 12.46). Nisso também ele tipifica Jesus: “Foram, pois, os soldados, e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro, e ao outro que como Ele fora crucificado; mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas. Contudo um dos soldados Lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. E aquele que o viu testificou, e o seu testemunho  é verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que também vós o creiais. Porque isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: Nenhum dos seus olhos será quebrado”(João 19.32-36).  
Os Pães Ázimos
     O pão ázimo da Páscoa, cuja massa não teve tempo para fermentar, simbolizava o povo apressado e aflito, fugindo, sem tempo para descansar: “Nela (na festa) não comerás levedado; sete dias nela comerás  pães ázimos, pão de aflição (portanto apressadamente saíste da terra do Egito), para que te lembres do dia da tua saída da terra do Egito, todos os dias da tua vida”. (Deuteronômio 16,3).
As Ervas Amargosas
     O cordeiro pascal tipifica o libertador, cujo sangue impedira a entrada do anjo matador nas casas dos filhos de Israel; os pães ázimos simbolizavam o povo em fuga, apressado e aflito, sem tempo para descansar; e as ervas amargosas simbolizavam as amarguras vividas no cativeiro e agora deixadas para três.
Entendendo I Coríntios 11.17-34 - O Banquete e a Ceia
     A descrição da Ceia do Senhor encontra-se, nas Escrituras, em quatro autores diferentes: Mateus (26.17-29), Marcos (14.12-26), Lucas (22.7-23) e Paulo (I Coríntios 11.17-34).
     O texto clássico sobre a Ceia do Senhor, porém, é o de I Coríntios 11.17-34, no qual o apóstolo Paulo, diferentemente dos demais escritores inspirados, não apenas descreve a instituição do memorial pelo Senhor, mas encaixa o evento na situação real da Igreja de Cristo e adorna-o de comentários doutrinários.
     As fantasias e superstições de líderes evangélicos oriundos da Umbanda ou do Kardecismo e a nefasta influência de livros de escritores anglicanos e luteranos, que interpretam de modo místico e sacramental os textos referentes à Ceia do Senhor, principalmente o texto clássico paulino, têm inseminado na comunidade evangélica idéias católicas acerca dos elementos da Ceia do Senhor.
      Assim, afigura-se-nos necessário, neste estudo, fazer uma breve análise do texto de I Coríntios 11.17-34 (juntamente com outras duas porções das Escrituras, ambas em I Coríntios, ambas importantes para a compreensão desse texto clássico, uma anterior a ele, 10.14-17, e a outra, posterior, 12.12-13,27, dentro do seu contexto imediato), dissecando-lhe aqueles pontos mais distorcidos pelas seitas “católicas-evangélicas”. Cumpre-nos, igualmente, analisar também o texto de João 6.33—58,63, que, embora não se refira à Ceia do Senhor, tem sido alvo de distorções semelhantes.
     Observe-se a expressão “comer ...  beber indignamente”. “Indignamente” é advérbio de modo. Desempenha a função sintática de adjunto adverbial e não de predicativo do sujeito, um qualificativo. Indica a maneira como alguma coisa é feita. Comer indignamente não é comer (estando) indigno (predicativo), mas é comer (agindo) de maneira indigna (adjunto adverbial). “Indignamente” refere-se a atos, a atitudes, e não a pessoas ou coisas. Uma pessoa pode ser considerada "digna” (adjetivo), mas, ainda assim, em determinada circunstância, agir “indignamente” (advérbio de modo). Da mesma forma uma pessoa “indigna” pode agir “dignamente”.
     E é interessante observar que as pessoas que se consideram indignas são geralmente as mais dignas. Por outro lado, as pessoas mais indignas são aquelas que mais se consideram dignas. Os crentes mais consagrados realmente ao Senhor são, invariavelmente, os que se reconhecem mais indignos da misericórdia de Deus e confessam que devem tudo a Sua graça. Já os religiosos fariseus são quase sempre arrogantes e se julgam os mais dignos entre os homens. A nossa indignidade diante de Deus é uma realidade irrefutável e nem podemos esquecer que foi Deus “que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz” (Colossenses 1.12).
     O texto paulino não diz que os coríntios eram indignos ou se achavam indignos de participar da Ceia do Senhor, mas que, ao reunirem-se para cear, estavam agindo “maneira indigna”. A maneira indigna como eles agiam é que era indigna: além de haver dissensões entre eles, os mais abastados financeiramente levavam abundante provisão de comida e bebida para fazer um verdadeiro banquete antes da Ceia do Senhor e, nessa lauta refeição, cada um comia e bebia o que levava, sem a necessária ordem e sem nenhuma consideração para com os irmãos mais pobres, que, nada tendo para levar, nada comiam e nada bebiam. Nessa desordem, era natural haver, na hora da Ceia do Senhor, pessoas sentindo-se humilhadas e desprezadas!
     Era esse o problema dos crentes de Corinto. Tanto que o apóstolo recomenda-lhes que, quando eles se ajuntassem para comer, “esperassem uns pelos outros”, e se alguém tivesse com fome, comesse em casa, a fim de não se reunirem para condenação (10. 33-34). O problema era de fácil solução, portanto. Por sinal, convém não esquecermos que ‘banquete em igreja’ é quase sempre sinônimo de problema! Por isso é que indaga o apóstolo: “Não tendes porventura  casas para comer e para beber?”(I Coríntios 11.22).
     Em face da maneira indigna como se portavam os coríntios na celebração do
memorial da nova aliança, Paulo afirma que não é a Ceia do Senhor que eles comem, mas a ceia deles mesmos. O apóstolo não faz nenhuma restrição ao cerimonial ou à liturgia da celebração empregados por eles. Qualquer que fosse o ritual por eles adotado era vazio com certeza! Não anunciava a morte do Senhor até que Ele venha! Faltava-lhes o “serem um”. A união pelos laços do amor é que seria a grande mensagem, pois proclamaria ao mundo a transformação de vida neles operada pelo poder do Senhor ressuscitado: “Para que todos sejam um, como Tu, ó Pai, o és em Mim, e eu em Ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que Tu me enviaste”(João 17.21).
     Comunhão é união, é identificação de idéias e propósitos, é companheirismo, é parceria. A comunhão do Corpo de Cristo é a integração dos crentes, unidos pelos laços do amor! Participar do mesmo pão (10.17) é sinal de comunhão (10.16). Aquele, pois, que se senta à mesa do Senhor (10.21) e, ao mesmo tempo, nega com seus atos a comunhão com os membros do Corpo de Cristo, não está “discernindo o Corpo do Senhor” (11.29) e, como consequência, está participando indignamente da comunhão desse corpo. Comer e beber indignamente é fazer como faziam os coríntios, que, dizendo participar do memorial da nova aliança no sangue de Jesus, maltratavam os crentes mais humildes, “não discernindo o Corpo do Senhor’.
Discernindo o Corpo do Senhor
Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte” (I João 3.14). Todavia, entre os coríntios, havia dissensões, formavam-se partidos, fazia-se acepção de pessoas. Faltava-lhes o amor, “que é o vínculo da perfeição” (Colossenses 3.13), pois desprezavam e envergonhavam membros do Corpo de Cristo. Faltava-lhes discernimento para compreender que “o corpo de Cristo” são os crentes e não o pão da ceia! Não discerniam o Corpo do Senhor, que somos todos quantos temos o Espírito de Cristo (Romanos 8.9). É possível que devotassem grande respeito e veneração aos elementos da ceia (como muitos faz hoje em dia!), mas Jesus não estava no pão e sim nos irmãos, inclusive, e paradoxalmente, naqueles que estavam sendo desprezados e envergonhados. Discernir algo é identificá-lo, distingui-lo de outras coisas. Faltava-lhes discernir que o Corpo de Cristo “é a Igreja” (Colossenses 1.24).
     Para Paulo, a expressão “Corpo de Cristo” designa sempre a comunidade dos remidos (Romanos 12.5; I Coríntios 12.12-27; Gálatas 3.27-29; Efésios 1.22-23; Colossenses 1.18-24; 3.15). Mesmo o pão da Ceia do Senhor, que representa o corpo físico de Cristo, o Cordeiro de Deus, imolado por nós na cruz, representa também a Igreja, que é o Corpo de Cristo (I Coríntios 10.17; Efésios 1.22-23).
     Observe-se a identificação que o Senhor faz de Si mesmo com o Seu povo. É enfática demais para que possa passar despercebida a alguém: “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes” (Mateus 25.40). Assim também, quando Saulo perseguia os discípulos do Senhor, este, no caminho de Damasco, indagou-lhe: “Saulo, Saulo, por que Me persegues?” (Atos 9.4).
     O texto paulino não defende uma ‘teologia sacramental’, onde os elementos da Ceia teriam poderes sobrenaturais, de modo que quem deles come em santidade receberia ricas bênçãos celestiais enquanto que quem deles come estando “indigno”, isto é, estando em pecado (com alguma falha em sua vida), sofreria severo castigo.
     Ora, o grande mistério de Deus, “que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações”, não é Cristo no pão da ceia, mas é “Cristo em vós (nós), esperança da glória” (Colossenses 1.26-27). O pão representa o Corpo de Cristo, a Igreja é esse corpo. Um é um símbolo, o outro é a realidade!
Disciplinados Pelo Senhor
     O apóstolo Paulo explica que se o crente, quando errar, se julgar a si mesmo, vendo onde errou e procurando corrigir-se do erro, não será julgado pelo Senhor. Mas se o crente não se corrige a si mesmo, antes permanece no erro, o Senhor o disciplina, pois quando o Senhor julga o crente é para sua correção, porque o crente, por pertencer a Jesus, não pode ser condenado com o mundo (vv. 31-32). A falta de amor para com os irmãos, a falta de ordem na Igreja e a falta de autodisciplina por parte dos crentes estavam trazendo sobre eles a disciplina do Senhor. ( I Coríntios 11.30).
     A relação entre Deus e o pecador não convertido é uma relação entre o juiz e o réu. Não há comunhão, não há amor, não há disciplina. Mas, quando o pecador se converte ao Senhor, a sua relação com Deus passa a ser uma relação entre Pai e filho. Uma relação em que há comunhão, amor  e disciplina. Para os que estão em Cristo Jesus, já não há “nenhuma condenação” (Romanos 8.1), mas há disciplina! (Hebreus 12.5-8)
Isto é o Meu Corpo
     Os evangélicos temos rejeitado, através dos tempos, não somente a doutrina da transubstanciação católica romana (presença real de Cristo na Ceia pela transformação dos elementos pão e vinho no Seu corpo e sangue) como também a da consubstanciação luterana (presença real de Cristo na Ceia, pela união de Cristo com os elementos pão e vinho), por entendermos que tanto uma como a outra, embora amparadas por bem elaborados argumentos filosóficos, carecem de fundamento bíblico e, o que é pior, induzem à idolatria.
     A ‘Igreja Católica Romana’ afirma: “No santíssimo sacramento da Eucaristia estão ‘contidos verdadeiramente, realmente e substancialmente o Corpo e o Sangue juntamente com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo todo’ ”[4] Afirma, também: “A presença real de Cristo resulta da singular conversão de toda a substância do pão no corpo e de toda a substância do vinho no sangue, ainda que permaneçam as espécies de pão e de vinho. A esta conversão a Igreja católica chama com propriedade (aptissime) transubstanciação.” A encíclica Mysterium Fidei, de 3 de setembro de 1965, assinada por Paulo VI traz novas interpretações. As categorias e a linguagem de tridentina marcadas pela teologia escolástica, já se tornaram irrelevantes para o homem moderno. Nos anos 60 foi de grande notoriedade a preocupação por corresponder à  mentalidade moderna, dando  chance a chamada ‘crise holandesa, preocupação esta que aflorou de modo muito forte nos Países Baixos. Os teólogos católicos continuaram defendendo que a eucaristia é um evento de salvação em favor dos homens, mas o importante, naquele momento, era “o novo significado e a nova finalidade”. Do pão e do vinho depois da consagração. “Transfinalização e transignificação” seriam para os tempos modernos bem mais adequados para traduzir a assim chamada “transubstanciação”.
A encíclica “Mysterium Fidei” veio trazer a modo de confissão da fé católica algo importante com toque suave na mudança da teologia escolástica, cujos tópicos, a seguir, são de fundamental importância:
     “Deve-se continuar mantendo a linguagem tradicional da Igreja (católica) sobre a presença real eucarística e a conversão. Asfórmulas podem ser investigadas e explicadas, mas nunca em sentido diferente ao que foram propostas”[5]. “Há presença real de Cristo na Igreja (católica), mas a presença de eucarística é “substancial”: ‘Cristo inteiro, Deus e homem, se faz presente’. Não se reduz à presença “espiritual” de Cristo glorificado que existe no cosmos, nem a um sinal da intervenção de Cristo em favor de seus fiéis”[6]. Sobre as novas interpretações, “Com a transubstanciação, as espécies de pão e de vinho revestem novo significado e têm um novo fim; mas esse novo fim e esse novo significado supõem uma nova realidade ontológica . Porque há transubstanciação, também hátransignificação e transfinalização”[7] O que podemos observar é que os tratados teológicos romanistas, numa tentativa desesperada para explicar o não explicável, cada vez mais penetram numa emaranhado de opiniões ôcas e sem sentido resultantes da ilógico proveniente da interpretação literal das palavras de Jesus ao instituir a Ceia Memorial. O teólogo Jesús Espeja, bastante respeitado nos meios do catolicismo romano, assim afirma: “Os termos ‘transubstanciação’ e ‘transfinalização’ (ou ‘transignificação’)devem ser usados com reserva. O primeiro, porque “substancia”  nas ciências positivas já não tem o significado que teve na filosofia grega que serviu de base à teologia escolástica, comum aos padres conciliares de Trento. A “transfinalização” (ou “transignificação”) corre o perigo de ser imprecisa para expressar o realismo da presença[8]
     Por outro lado, muitos grupos evangélicos têm para com os elementos da Ceia do Senhor (“santa ceia”, para eles) uma devoçãoigual á que os católicos romanos têm para com a hóstia consagrada. Um verdadeiro culto de “latria” (culto de adoração suprema a Deus e à hóstia consagrada).
     A ‘Igreja Católica Romana’ nos assegura que após a oração consecratória sobre o pão e o vinho, são transformados em alguma coisa diferente: corpo e sangue. Entretanto, a linguagem empregada nos textos de Mateus 26.26-29; Marcos 14.22-24; Lucas 22.19-20 e I Coríntios  11.23-26 não conduz a esta conclusão! O que podemos perceber é que era  ação de graças e louvor rendidos a Deus, exatamente como o Senhor Jesus fez, quando alimentou a multidão, dando graças  pelos pães e pelos peixes (João 6.11). O que nos chama à atenção são as palavras de Jesus depois da ação de graças: Isto é o meu corpo... Isto é o meu sangueo sangue da aliança. Como poderia Jesus dizer que em Suas mãos estavam o seu próprio corpo e o Seu próprio sangue, quando Eleainda estava vivo no meio dos discípulos, habitando o mesmo corpo com o qual nascera da bendita Virgem Maria e com o qualandara e ainda estava andando na companhia dos discípulos? Portanto, a assim chamada “transubstanciação” (ultimamente travestida de “transfinalização” ou “transignificação”), fere frontalmente a inteligência das pessoas sensatas! O católico não procura a razão lógica da sua fé, crê em tudo que os seus teólogos lhe enfia garganta abaixo,  pois se “Roma locuta, causa finita”, aceita-se tudo sem contestação, daí o significado da palavra “fiel” que o católico recebe!
    Outro fato muito interessante para o qual devemos lançar nossos olhares é o fato de Jesus, após ter abençoado o vinho, o tenha chamado de “o fruto da videira”! (Mateus 26.29; Marcos 14.25; Lucas 22.18). Isso demonstra de forma cristalina que a substânciado vinho não havia mudado! E o apóstolo Paulo age do mesmo modo, quando chama os elementos da Ceia do Senhor de pão e de vinho!(I Coríntios 11.26). As narrativas da instituição da Ceia do Senhor e na Carta de Paulo aos Coríntios tornam claro, cristalinas, que o Senhor Jesus falou em sentido figurado, quando disse: “Este é o cálice da nova aliança no meu sangue...” (Lucas 22.20b). E Paulo, escrevendo a sua Primeira Carta aos Coríntios, após 25 anos que Jesus instituiu a Ceia, cita Jesus dizendo: “Este cálice é o novo testamento (ou nova aliança) no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes (manducação) este pão e beberdes (potação) este cálice anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha” (I Coríntios 11.25-26). Notemos que nestas palavras Ele usou uma dupla figura de linguagem. O cálice representa o vinho e o vinhoé chamado de novo testamento ou nova aliança. O cálice não era literalmente a nova aliança, embora definitivamente declarado, como o pão foi declarado ser o Seu corpo. Eles não beberam o cálice literalmente, como também não beberam literalmente a nova aliança! Como é ridículo dizer que eles assim o fizeram! O seu corpo também não foi o pão literal, nem o vinho, seu sangue literal. Depois de dar o vinho aos Seus discípulos Jesus disse: “Pois vos digo que, de agora em diante, não mais beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus” (Lucas 22.18). Assim o vinho, mesmo que dele Jesus tenha tomado e depois dado aos Seus discípulos, continuou sendo o fruto da videira! Nenhuma “transubstanciação” ou “transfinalização” ou “transignificação” houve na substância! E isso aconteceu depois da oração de consagração que Jesus fez, quando a Igreja Católica supõe e ensina que aconteceu a alteração, mesmo tendo Jesus e Paulo declarado que os elementos, a substância, continuam sendo pão e vinho!
     Voltamos a enfatizar que na ocasião em que estas palavras foram ditas, o pão e o vinho estavam sobre a mesaDIANTE DELE, e Ele estava assentado à mesa em Seu corpo, como qualquer pessoa viva! Lembremo-nos que a crucificação ainda não havia acontecido! Eles – Jesus e Seus discípulos – comeram a Ceia antes da crucificação! Portanto, não podemos fazer algo em memória de alguém que está presente, como a Igreja Católica Romana  faz, dizendo que Cristo está presente na missa! Notemos que ao invés de corpo, sangue, alma e divindade nos elementos, Paulo vê pão e cálice. Se o apóstolo Paulo cresse na presença real, corporal de Cristo sob as aparências do pão e do vinho, com certeza ele não teria dito: “até que Ele venha”, pois Jesus já estaria ali presente! O próprio Jesus ao afirmar: “... fazei isto em memória de Mim” (Lucas 22.19), teria excluído “ipso facto” a presença! Esta é a lógica! Da mesma forma se no pão Jesus se tornasse física e corporalmente presente – como afirma a Igreja Católica Romana “... debaixo destas (espécies do pão e do vinho) está Cristo completo, presente na sua realidade física, mesmo corporalmente...”[9] evidentemente a Ceia não em memória! A Ceia do Senhor instituída por Jesus não foi um tipo de operação mágica, mas exclusivamente um memorial! E com que finalidade? Com o objetivo de convocar todos os cristãos, através dos séculos, a que se lembrassem da crucificação do Senhor Jesus e de todos os benefícios dele proveniente! Um memorial não representa arealidade, como no caso de serem o pão e o vinho o Seu verdadeiro corpo e sangue, mas uma coisa totalmente diferente, que serve apenas como lembrança da coisa real. É perfeitamente óbvio a qualquer leitor observador inteligente que a Ceia do Senhor foi especialmente instituída como uma simples festa memorial. De maneira alguma, como uma reencarnação de Cristo! Segundo a Igreja Católica Romana, aquilo que os sentidos apreendem depois da consagração do pão e do vinho, na assim chamada “transubstanciação”, são os acidentes. Ora, quando Jesus transformou a água em vinho, em Caná da Galiléia, as características da água desapareceram, porque a água deixou de existir, conforme João 2.9-10.  Esse episódio é bastante claro à nossa inteligência!
     A posição do Luterianismo não difere muito da posição católica romana. E os próprios luteranos confessam essa realidade: “Nossas igrejas são falsamente acusadas de ter abolido a missa. Porque a missa é ainda retida entre nós e celebrada com grande reverência”[10].
     A “transubstanciação” católica romana e a “consubstanciação” luterana são, em síntese, a mesma coisa, conforme vemos no “Relatório da Comissão Mista Católico-Luterana sobre a Eucaristia”:[11]
¨     “cristãos católicos e luteranos confessam em comum que a presença eucarística do Senhor Jesus Cristo visa o recebimento do crente, não estando, porém, limitado ao momento do recebimento, e igualmente não dependendo da fé do receptor por mais que ele seja orientada para esta”;
¨     “a discussão ecumênica demonstrou que essas duas posições não mais precisam ser consideradas como contraposições mutuamente excludentes (transubstanciação e consubstanciação). A tradição luterana consente com a tradição católica na afirmação que os elementos consagrados não continuam sendo simples pão e vinho, mas em virtude da palavra criativa são distribuídas como corpo e sangue”;
¨     “segundo a doutrina católica, o Senhor proporciona sua presença eucarística para além da realização do sacramento, enquanto persistem as formas de pão e vinho. Correspondentemente, os fiéis são convidados a prestar veneração a este santíssimo sacramento aquele culto de latria que é devido ao Deus verdadeiro”; (...) “também para eles (os luteranos) culto, veneração e adoração são adequados tanto tempo quanto Cristo permanece sacramentalmente presente”.
     Ora, para quem adore a Jesus e creia que Ele está de alguma forma, presente nos elementos da Ceia, a conseqüência natural será a adoração desses elementos. E é exatamente isso que fazem os católicos, quando adoram Jesus na hóstia consagrada. E é exatamente isso que fazem os luteranos em relação aos elementos da sua eucaristia, prestando-lhes “culto, veneração e adoração” enquanto, segundo o entendimento luterano, Ele permanece presente nesses elementos.
     Alguns grupos evangélicos existentes entre nós têm para com os elementos da Ceia do Senhor (por alguns deles chamada de “santa ceia”) um forte sentimento de “latria”, de modo que lhes prestam um verdadeiro “culto latrêutico”, semelhante ao que o catolicismo romano devota à hóstia consagrada. Em face dessa veneração, as sobras de pão e de vinho ‘consagrados’ são para eles mantidas intocáveis e ou são ritualisticamente enterradas ou ficam guardadas até que, cobertas de mofo, sejam comidas pelos bichos, quando então, e somente então os vasos onde estiveram depositados podem ser lavados. Mas isso é idolatria! E idolatria que se vem infiltrando no seio da comunidade evangélica! E aqueles que hão de dar contas do rebanho permanecem indiferentes! O culto aos elementos da Ceia, qualquer que seja a sua forma, é idolatria. Tanto faz estar amparado na teoria da transubstanciação como na tese da consubstanciação, ou simplesmente escorada na palavra carismática do líder. E os idólatras não têm parte no reino de Deus (I Coríntios 6.10). É por isso que o texto de I Coríntios referente à Ceia do Senhor começa com esta advert6encia: “Portanto, meus amados, fugi da idolatria”. (10.14).
     O texto de João 6.33-63, mormente os versículos 33-58, que o catolicismo romano e as seitas católicas utilizam como pretensa base bíblica para a tese da transubstanciação ou da consubstanciação, não se refere à Ceia do Senhor, mas à conversão pela fé em Jesus. Os teólogos católicos, como é do seu hábito, transgridem na norma primacial da compreensão da Bíblia sagrada ou de qualquer obra literária: a de interpretar o texto pelo contexto. Isolam parte do texto do discurso de Jesus feito na sinagoga de Cafarnaum e dão uma interpretação literal às palavras de Jesus, mas, se fossem honestos, deveriam adotar o mesmo critério em todo o discurso, pois várias vezes Jesus usou a expressão pão.  Ao admitir a literalidade do vocábulo pão, certamente Jesus teria descido do céu na forma material, isto é, em forma de pão! E quem comesse literalmente desse pão viveria para sempre. Por que não se há de ser lógico, admitindo-se igual sentido figurado quanto aos vocábulos carne e bebidas?
     Este texto tem sido utilizado para justificar a tese pagã-católico-romana de que, para ter a vida eterna, o pecador tem de comer(manducação) de Cristo no pão da ceia e beber (potação) o sangue de Cristo no vinho da Ceia. Comer e beber carne e sangue humano é coisa repulsiva e abominável a Deus, e também a qualquer pessoa mentalmente sã, especialmente aos judeus. Essa prática é contrária às Escrituras e ao senso comum. (Levítico 17.10; Deuteronômio 12.16). Na lei judaica havia severa penalidade contra quem comesse sangue.
     Comer a carne e beber o sangue de Jesus é vir a Ele, é crer nEle! Ele próprio o disse: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que cr6e em Mim tem a vida eterna” (v. 47).  Comparem-se os versículos 40 e 54. A mensagem é a mesma, sendo que, no verso 54, a mensagem do verso 40  é repetida de maneira figurada. Mas mente carnal é apegada à realidade física e incapaz de perceber a realidade espiritual. Quer ver e apalpar para crer. Precisa mastigar (manducação) e engolir (potação). O Deus Espírito não lhe basta! Precisa de um deus físico, material, palpável, mastigável até!
     O mais impressionante é que quando Jesus quis falar aos Seus discípulos sobre assuntos importantes, isolou-Se com eles (Mateus 10.1-42; 18.1-35 dentre outras). Havia uma diferença enorme entre Jesus ensinar aos Seus discípulos e pregar às turbas (Mateus 11.7). Ao povo Ele pregava a Palavra, comparando-a a semente, para que se convertesse e aos Seus discípulos favorecia explicações bastante pormenorizadas que os preparassem para bem melhor servi-Lo (Mateus 13.10-23).
     Outro detalhe importante, é que no Evangelho de João a Ceia do Senhor não é mencionada nesta passagem e nem está em seu contexto e nem em todo o Evangelho segundo João a ela se refere, pois se houvesse algum vínculo com o sermão na sinagoga de Cafarnaum com a Ceia do Senhor, certamente João teria mencionado, pois João dos quatro evangelistas o mais meticuloso, mas ele não alude nada! É o único evangelista que não menciona nada, absolutamente nada, a respeito da instituição da Ceia por Jesus!
     Portanto, comer a carne de Cristo e beber o Seu sangue é crer nEle! O “comer” e “beber” são figuras do crer. Quem crê no Senhor Jesus torna-se um com Ele, pois Paulo escreveu: “Mas aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele” (I Coríntios 6.17). Faz-se habitação do Espírito de Cristo (Romanos 8.9-11). Cristo está em nós porque nEle temos crido!
     O grande mistério de Deus, que esteve oculto dos séculos e das gerações, é realmente Cristo em nós, “a esperança da glória” (Colossenses 1.26-27). Mas não O recebemos ingerindo-O em forma de pão de farinha de trigo e vinho. Ou “ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre, e é lançado fora?” (Mateus 15.17). Nós, os crentes, não praticamos a teofagia!
     Portanto, a interpretação do texto de João 6 como referente à Ceia do Senhor, absolutamente contraria aos princípios da hermenêutica sadia, tem como objetivo apresentar um texto bíblico de defesa da tesa pagã sacramentalista, da qual depende a força e importância do clero católico romano.
     A tese sacramentalista reivindica que a graça de Deus seria transmitida aos homens através dos ‘sacramentos’, que seriam osinstrumentos necessários dessa transmissão. Assim é que o pecador, para receber a graça de Deus, ficaria na dependência dosministros dos sacramentos, que ficariam sendo, na realidade, a instância nessa questão. Mesmo quando alguém argumentasse que, segundo as Escrituras, somos salvos pela graça, por meio da fé, eles retrucariam, dizendo: ‘É pela graça, sim, mas para receber a graça, você precisa dos sacramentos, e como quem tem os sacramentos somos nós, você precisa mesmo é de nós, ministros dos sacramentos’! Que Deus nos livre de tais heresias!
A Data da Instituição da Ceia do Senhor
     “A festa da Páscoa começava no dia 15 de Nisã, sendo o cordeiro sacrificado na tarde de 14. Contudo o dia da semana variava com a lua nova. Se Jesus comeu a ceia regular da Páscoa, foi crucificado no dia 15 de Nisã. Se comeu uma ceia no dia anterior, e se foi crucificado na hora do sacrifício do cordeiro, então o dia foi, então, o dia 14 de Nisã. Neste caso ele não comeu, de fato, a Páscoa”[12].
     Na histórica controvérsia havida nos primeiros séculos da era cristã entre gregos e latinos, estes defendiam a tese de que Jesusteria comido do cordeiro pascal, após o pôr do Sol do dia 14 de Nisã, de modo que Sua crucificação teria sido na tarde do dia 15, primeiro dia da festa da Páscoa. Os gregos, ao contrário, afirmaram que Jesus, que é a nossa Páscoa, não teria comido do cordeiro pascal, mas, na qualidade de verdadeiro Cordeiro Pascal, teria sido crucificado na hora costumeira do sacrifício do cordeiro. Vamos verificar com quem está com a razão.
A Data da Crucificação de Jesus
     A data da instituição da Ceia do Senhor depende diretamente da data de Sua crucificação. Se Ele tiver sido crucificado no dia 15 de Nisã, a Sua Ceia terá sido instituída nesse mesmo dia 15, após o pôr do Sol do dia 14 de Nisã, fora do contexto da Páscoa judaica.
     Em João 13.1-4 lemos que Jesus e Seus discípulos comeram a Ceia “antes da festa da páscoa”, antes, portanto, do primeiro dia dos ázimos. Em João 18.28 lemos que, quando, de manhã, o julgamento de Jesus estava terminando (e Ele havia ceado na noite anterior!), os judeus ainda não tinham comida a páscoa.
     Em João 19.14-16 lemos que Jesus foi julgado e crucificado no dia da preparação da Páscoa (à hora sexta – ao meio-dia), isto é, no dia 14 de Nisã, antes do primeiro dia dos ázimos.
     Tanto as grandes festas de Israel como o Dia da Expiação eram figuras proféticas de fatos referentes ao Messias e que, a exemplo das próprias festas, ocorriam “no seu tempo determinado” (Levitico 23.5). Jesus havia predito que Sua morte se daria na Páscoa ( Mateus 26.2). Na Páscoa, sim, mas antes da festa. “Depois os príncipes dos sacerdotes, e os escribas, e os anciãos do povo reuniram-se na sala do sumo sacerdote, o qual se chamava Caifás. E consultaram-se mutuamente para prenderem Jesus como dolo e o matarem. Mas diziam: Não durante a festa, para que não haja alvoroço entre o povo” (Mateus 26.3-6). E assim O prenderam antes da festa, que começava com a ceia pascal. E essa decisão foi tomada a partir de uma profecia do sumo sacerdote Caifás (João 11.47-53).
     A Páscoa, como sacrifício do cordeiro, era o dia 14 de Nisã (Levitico 23.5), mas a festa a que se chamava Festa da Páscoa começava no dia 15 de Nisã, com a ceia pascal. Jesus foi preso, julgado e executado na cruz antes da festa. Morreu na cruz no dia 14 de Nisã, na sexta-feira, ao crepúsculo da tardeno momento profeticamente estabelecido na Lei para a morte do cordeiro pascal.
A Preparação da Páscoa
     “No Gr. secular, paraskeuè se acha no sentido geral de “preparação”, mas o NT emprega o subs. paraskeuè sempre como expressão de tempo, para indicar o “dia da preparação” antes de um Sábado ou Festa da Páscoa: Mt. 27.62; Mc 15.42; João 19.14, 31,42”[13]
     Observe-se bem que a palavra paraskeuè significa preparação em sentido geral e em todos os textos do NT em que ela aparece refere-se sempre ao dia 14 de Nisã, dia da preparação da Páscoa, dia em que era imolado o cordeiro, preparada a refeição, removido o fermento das casas, etc.
     Nos anos em que o dia 14 de Nisã caia numa sexta-feira, com a ceia pascal caindo no Sábado – o qual quando uma dessas “santas convocações” coincidia com um sábado semanal, regular, dava-se-lhe o nome de “Sábado grande”, dia de descanso legal, como é o caso do sábado posterior à crucificação de Jesus – aquela sexta-feira era tanto o dia da preparação da Páscoa (João 19.14) como véspera e preparação do sábado regular (Marcos 15.42). 
Véspera do Sábado Grande
     Que Jesus morreu numa sexta-feira ninguém questiona, pois o dia seguinte à Sua morte era sábado, conforme se lê em João: “...para que no Sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação (pois era grande o dia do sábado)” (19.31).
     Mas aquele não era um sábado comum, era um sábado grandeE sábado grande era aquele Sábado semanal que coincidia com um dos dias de “santa convocação”. Ora, como no mês de Nisã as “santas convocações” aconteciam nos dias 15 e 21 (primeiro e oitavo dias da Páscoa), aquele sábado não podia ser o dia 16 de Nisã, que não era dia de “santa convocação”. Tinha de ser o dia 15 de Nisã, primeiro dia dos ázimos, primeiro dia da Festa da Páscoa, dia de “santa convocação”, dia da ceia pascal, da qual Jesus não pôde participar, por haver, na qualidade de Cordeiro de Deus, sido imolado na véspera, 14 de Nisã, dia da preparação da Páscoa!
Lendo Lucas 22.15-16 no Original Grego
     Dizem os Sinópticos que Jesus “desejou muito”, ou “tenho desejado ansiosamente” comer aquela Páscoa com Seus discípulos, mas não afirmam que dela eles tenham participado! Os tradutores costumam traduzir os textos pascais a partir do pressuposto generalizado de que Jesus teria participado da ceia pascal. É o que se vê, por exemplo, em Lucas 22.15-16, que praticamente todos traduzem da seguinte forma:
     “Desejei muito (ou tenho desejado ansiosamente) comer convosco esta páscoa, antes que padeça; porque vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus”.
     O texto grego original diz literalmente:
     “E disse a eles, (um) desejo desejei, esta a páscoa comer conosco antes do meu sofrer. Digo pois a vós que não não como-a até (que) a cumpra em o reino de Deus”.
     Assim, uma tradução mais próxima da idéia do original diria:
     “E disse-lhes: desejei ardentemente comer convosco esta páscoa antes da minha paixão; digo-vos, entretanto, que não a comerei (não a como) de modo nenhum, até havê-la cumprido no reino de Deus”.
     A tradução natural da expressão enfática “não não”, no texto, deveria ser de modo nenhum (nem um, nunca), como em Mateus 5.18,20,26; 16.22; João 10.28; 13.8 e não “não... mais”, como em Lucas 22.18, onde a expressão “desde agora” justifica a inserção de “mais” ou “já”  (“não mais beberei” ou já não beberei”), para dar idéia de referência a fato futuro. Mas se o tradutor parte da pressuposição de que Jesus teria comido do cordeiro pascal, a sua inclinação natural será, em vez de afirmar que Jesus “de modo nenhum comeria daquela páscoa”, traduzir o texto como se Jesus tivesse dito que, após aquela páscoa, “não comeria de outrapáscoa”, dando com isso a entender que daquela Ele comeria.
     E observe-se que o Senhor diz haver desejado ansiosamente comer “aquela páscoa” ( a páscoa do ano da Sua crucificação), mas afirma categórico  que, não obstante esse Seu desejo, não haveria de comê-la: “pois vos digo que não a como de modo nenhum”(com o verbo “comer” no presente do indicativo).
     Vejamos ainda Mateus 26.29, literalmente  no original grego:
     “Digo, porém a vós, não não bebo desde agora (“arti”, no grego) de este o fruto da videira até o dia aquele quando o bebo convosco novo em o reino do Pai meu”.
     Sua tradução natural seria:
     “Digo-vos, porém, que, desde este instante, já não beberei (ou “não mais beberei”) do fruto da videira, até aquele dia em que o beberei convosco, novo, no reino de meu Pai”.
     A partir daquele momento, Jesus não beberia do fruto da videira, até que venha o reino de Deus. Mas com relação a comer a páscoa, a Sua declaração é diferente. Ele não comeria aquela páscoa, de modo nenhum, embora tivesse desejado ardentemente comê-la com Seus discípulos antes de Sua crucificação. Não disse que deixaria de comê-la somente depois de participar “daquela páscoa”.
Jesus Não Comeu do Cordeiro Pascal
     A refeição de despedida da qual o senhor Jesus participou com Seus discípulos e na qual instituiu a Sua ceia foi realizada depois do pôr do Sol do dia 13 de Nisã, isto é, já na noite (em Israel, o dia começava ao pôr do Sol) de 14 de Nisã (sexta-feira). Naquela ocasião, Jesus ou Seus discípulos não comeram do cordeiro pascal. Não se percebe, em nenhum dos Evangelhos, a mais leve referência ao cordeiro pascal naquela refeição. Não se lhe descrevem os elementos, exceto o pão e o vinho. E os sacerdotes se recusariam a imolar o cordeiro da Páscoa fora do dia legalmente reconhecido como 14 de Nisã e, no tempo do NT, somente eles tinham autoridade para, no templo, no dia legalmente estabelecido, imolar todos os cordeiros pascais. E, apesar de todas as divergências entre fariseus e saduceus, prevalecia o calendário oficial, dos saduceus.
     A esse respeito comenta Wagner George Kümmel:
     “O relato adotado por Marcos e o próprio Paulo não dizem que se trata de uma ceia pascal, e a descrição da última ceia de Jesus em Marcos tampouco contém uma indicação a respeito da ceia pascal. Falta, sobretudo, a menção ao cordeiro pascal. Por causa dessas e de outras razões, portanto, é muito improvável que Jesus tenha celebrado sua última ceia com os Seus discípulos como uma ceia pascal.[14]
     A ceia do Senhor, instituída naquela ocasião, foi, pois, algo inteiramente novo! Vinho novo em odres novos. Pois “ninguém deita vinho novo em odres velhos” (Marcos 2.22). Era o memorial da nova aliança, no qual, todas as vezes que comemos do pão e bebemos do cálice, “anunciamos a morte do Senhor, até que Ele venha” (I Coríntios 11.26). Um novo memorial, uma nova aliança – não conforme a aliança que havia sido feita no Sinai (Jeremias 31.31-32); um novo sacerdócio (Hebreus 7.12); uma nova lei (Hebreus 7.12), a lei de Cristo (Gálatas 6.2).
     Não há como contestar: Jesus não participou da Páscoa legal dos judeusporque Ele mesmo, o verdadeiro Cordeiro pascal(I Coríntios 5.7), morreu no dia e hora profeticamente revelados nas prescrições da Páscoa: 14 de Nisã, ao crepúsculo da tarde!Sim, Jesus “expirou na cruz no mesmo dia em que no Templo se imolavam os cordeiros pascais[15] , “foi crucificado no dia em que o cordeiro pascal era oferecido, e ressuscitou no dia em que as primícias da primeira colheita eram apresentadas, as primícias dos eu dormem”[16].
     Na ocasião marcada para a ceia pascal, Jesus, “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1.29), já estava no túmulo! A celebração da Páscoa judaica perdera a sua razão de ser! Os cordeiros pascais, figuras do Cordeiro de Deus, já não deveriam ser imolados cada ano! A realidade que eles figuravam havia chegado! E, em chegando a realidade, os ritos legais, que têm somente “a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas” (Hebreus 10.1), haviam-se tornado antiquados, perdendo completamente o valor. Portanto, é um contra-senso o cristão celebrar a Páscoa, pois quando Jesus morreu, Ele foi o último “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”! Paulo nos diz que devemos comemorar a Sua morte, através de algo inteiramente novo, que é a Ceia do Senhor, pois através dela, “anunciais a morte, até que Ele venha” (I Coríntios 11.26).
     Maranata! “Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus” (Apocalipse 22.20).
     A Tua Igreja Te espera e ama a Tua vinda!